Alquimista Hermes Trismegistus


Hermes é filho de Zeus e Maia. Nasceu num dia 4. Viveu no Egito aproximadamente 2,5 mil anos antes de Cristo.
Seu impressionante legado intelectual (centenas de obras sobre teologia e cosmogonia, engenharia e arquitetura sagrada, medicina e filosofia, psicologia e magia, entre outras) perdeu-se ao longo dos séculos, sobrando somente alguns textos que foram atribuídos a ele, entre os quais a famosa “Tábua Esmeraldina” (ou Tábua de Esmeralda) e o “Corpus Hermeticum”, que são as bases da alquimia árabe e europeia medievais.

Hermes Trismegisto quer dizer “Hermes, o três vezes Grande”. Hermes tem também outros nomes: Toth em grego e Tehuti ou Dyehuty em egípcio. Os gregos também o chamavam de Trismegisto ou Trismegistus, significando que esse mestre dominava os três graus do Conhecimento: os níveis do Aprendiz, do Companheiro e do Mestre (dentro da simbologia maçônica); e as três Montanhas – Iniciação, Ressurreição e Ascensão (entre os gnósticos). Já os romanos o chamavam de Mercurius ter Maximus.

Hermes é o deus mensageiro dos deuses, o responsável por levar a palavra dos deuses até os mortais. É patrono de muitas coisas, entre elas da magia, da escrita, das profecias, da música, do tarot, do conhecimento, das ciências, das medidas, da matemática, da fala, dos oráculos, do julgamento, dos desenhos, da arquitetura, da gramática, da teologia, dos hinos, do aprendizado, dos livros, dos registros Akashicos (um conjunto de conhecimentos armazenados misticamente no éter, que abrange tudo o que ocorre, ocorreu e ocorrerá no Universo.), da paz e das orações. É o deus da eloquência. Ao lado de Apolo, é o Deus dos diplomatas e da diplomacia, e é o deus dos mistérios e interpretações (da onde vem a palavra “hermenêutica”). Além disto, era um dos únicos deuses que tinha a permissão para descer ao Reino de Hades e partir quando desejasse. Todos os outros (incluindo Zeus) estavam sujeitos às leis de Hades.

Hermes governa as funções da inteligência, da memória, da astúcia e da criatividade. Inventou a lira e a flauta de Pã, pela qual trocou com Apolo pelo cajado de ouro, o “Caduceu”, e por lições de Mântica (capacidade de prever o futuro de modo extra-racional. A mântica tem por objetivo a percepção do saber e da vontade de entidades superiores para orientar o agir humano).

Hermes tinha vários símbolos, mas os mais tradicionais eram as sandálias com asas que o permitiam se mover com muita facilidade pelas estradas, o caduceu e a tartaruga (de cujo casco ele criou a primeira lira). Como inventor de diversos tipos de corrida e também das lutas, Hermes também era considerado o patrono dos atletas.

Foi inventor de práticas mágicas, conhecia profundamente a magia da Tessália, conduzia as almas na luz e nas trevas, executava bem ambas as funções, era, portanto, “o vencedor mágico da obscuridade”, porque “sabe tudo e, por isso, pode tudo”. Era o mestre dos magos.

Trismegistus é mencionado primordialmente na literatura ocultista como o maior de todos os sábios egípcios, o grande criador da Alquimia, além de desenvolver um profundo sistema de crenças metafísicas que hoje é conhecido como Hermética.

Hermes é um deus civilizador, patrono da ciência e imagem exemplar das gnoses ocultas. É o sábio, o judicioso, o tipo inteligente do grego refletido, o próprio logos. Hermes é o que sabe e, por isso mesmo, aquele que transmite toda ciência secreta.

A alquimia é uma ciência, ou melhor, uma filosofia e baseia-se na seguinte teoria: “tudo no mundo obedece às mesmas leis e todos os objetos da natureza contêm a energia vital”. Toda matéria contém vida.”.

O trabalho do alquimista é o de unir os opostos; cada matéria possui seu par e nesta união alcança-se o casamento alquímico. Para tanto, é necessário purificar a natureza ou buscar sua perfeição. Os alquimistas acreditavam que para realizar a Grande Obra, a regeneração da matéria, deveriam procurar a regeneração de sua alma; é um processo paralelo: a busca da pedra filosofal e a purificação da alma, tornando o homem um ser luminoso, revelando o “ouro” que possui.
Os alquimistas que procuravam apenas fabricar ouro não eram verdadeiros adeptos, pois, segundo palavras atribuídas a Hermes: “O meu ouro não é ouro vulgar”. Ou seja, o ouro que o alquimista deve procurar não é o metal.

O fundamento simbólico é a separação dos sexos e sua re-união, ou seja: oposição e equilíbrio dos dois grandes princípios do universo.

A base desta busca encontra-se na célebre obra “Tábua de Esmeralda”, que teria sido gravada pelo próprio Hermes, numa linguagem criptográfica, cifrada, esotérica, Hermética, só para iniciados.

Segundo a Tábua Esmeraldina a distribuição simbólica, masculino – feminino é a seguinte:
Masculino: O sol, o ouro, o fogo, o ar, o rei, o espírito de Enxofre.
Feminino: A luz, a prata, a água, a rainha, o espírito de Mercúrio.

Texto gravado da Tábua de Esmeralda:

 “É verdadeiro, completo, claro e certo. O que está embaixo é como o que está em cima e o que está em cima é como ao que está embaixo, para realizar os milagres de uma única coisa.

Ao mesmo tempo, as coisas foram e vieram do um, desse modo as coisas nasceram dessa coisa única por adoção.

O Sol é o pai, a lua é a mãe, o vento o embalou em seu ventre, a Terra é sua ama; o Telesma do mundo está aqui.

Seu poder não tem limites na Terra.

Separarás a Terra do Fogo, o sutil do espesso, docemente com grande indústria.

Sobe da Terra para o céu e desce novamente à Terra e recolhe a força das coisas superiores e inferiores. Deste modo obterás a glória do mundo e as trevas se afastarão.

É a força de toda força, pois vencerá a coisa sutil e penetrará na coisa espessa.

Assim o mundo foi criado.

Esta é a fonte das admiráveis adaptações aqui indicadas. Por esta razão fui chamado de Hermes Trismegistos, pois possuo as três partes da filosofia universal.

O que eu disse da obra solar é completo.”


A Tábua de Esmeralda de Hermes

Para aqueles que conhecem a doutrina Hermética e alquímica os dizeres de cada linha da Tábua é cheia de significados. A doutrina da unidade cósmica, defendida pelos modernos cientistas e o princípio da analogia e das correspondências entre todas as partes da criação está bem claro no texto da Tábua.

A frase mais comentada: “o que está em cima é como o que está em baixo…” Significa que toda a vida está unida por uma espiral de harmonia.