O alquimista Fulcanelli


O mundo da Alquimia costuma ser rodeado de mistérios, o que não é diferente quando se fala dos próprios Alquimistas, seja pelo caráter hermético dessa ciência e dos seus estudiosos, seja também pela falta de documentos ditos oficiais que comprovem suas descobertas.

Um caso bastante interessante e igualmente misterioso é o de Fulcanelli. Esse alquimista viveu em um período mais próximo do nosso, teria nascido na França no ano de 1839 e vivido até meados do século XX. Escreveu obras complexas e fantásticas de Alquimia e Arquitetura, realizou experimentos de transmutação de ferro e chumbo no mais fino ouro e também deu explicações avançadíssimas para a época sobre física nuclear. Porém, o que mais falta a respeito de Fulcanelli são documentos que comprovem sua identidade e a vida que ele de fato levou. Fulcanelli um pseudônimo. Há muitas especulações a respeito de sua identidade, mas ela nunca foi ao certo revelada.

A maior parte do material que existe sobre Fulcanelli foi deixado por seus discípulos que preservaram seu legado e deram continuidade a seu trabalho. Um deles, Eugene Canseliet, além de ter colaborado para uma possível revelação de identidade de seu mestre, chegou a conseguir transmutar metais menos nobres em ouro, seguindo os passos Fulcanelli que também havia conseguido o feito anteriormente.

O mesmo discípulo, a partir das anotações que recebeu de seu mestre, publicou os livros de Fulcanelli, considerados obras fundamentais para os postulantes a alquimistas: “O Mistério das Catedrais”, “As Mansões Filosofais” e “Finis Gloriae Mundi” (para este último ainda pairam dúvidas se a autoria é realmente de Fulcanelli).

“O Mistério das Catedrais” é um livro bastante interessante e importante, uma leitura obrigatória para os amantes da Alquimia e explora com grandes detalhes a ideia de que as catedrais góticas da Europa estão em textos alquímicos de verdade, criticamente escritos em pedra.

Pouco depois de 1922 quando teria obtido a Pedra Filosofal e transmutado ouro na presença de seus discípulos Eugene Canseliet e Gaston Sauvage, Fulcanelli desapareceu. Alguns dizem que ele morreu, porém, relatos identificam sua participação na Segunda Guerra Mundial e em Sevilha, na década de 50, sendo que neste último episódio conta-se que houve um reencontro entre Fulcanelli e Canseliet. O discípulo relata seu mestre como um andrógino de cerca de oitenta anos, mas com aparência de cinquenta, como se não tivesse envelhecido no período em que desapareceu.

Fulcanelli, da mesma forma que outros alquimistas, cita a importância de sua esposa em seu caminho de iniciação alquímica. Reforça-se a ideia e a importante presença de ambos os gêneros no processo da Grande Alquimia.

É atribuída a Fulcanelli esta célebre frase sobre Alquimia: “O segredo da alquimia é este: há uma maneira de manipular a matéria e energia, de modo a criar o que a ciência moderna chama de um campo de força. Este campo de força atua sobre o observador e o coloca em uma posição privilegiada em relação ao universo. A partir dessa posição privilegiada, tem acesso às realidades que normalmente são ocultadas de nós pelo tempo e espaço, matéria e energia. Isso é o que chamamos a “Grande Obra”.